
Teixeira de Freitas: Nossa equipe de reportagem recebeu, desde a última quarta-feira, 15 de abril, uma série de documentos que mostram as provas que levaram o Ministério Público da Bahia, a Polícia Federal e o GAECO a prender o ex-deputado Uldurico Júnior. O mais alarmante, porém, foram as acusações feitas por ele próprio e os nomes dos envolvidos na fuga de 16 presos em Eunápolis, que expôs a ex-diretora da unidade, Joneuma Neres, e revelou a relação entre políticos e facções criminosas, que teriam pago R$ 2 milhões pela facilitação da fuga. Esse valor inspirou o nome da Operação Duas Rosas, em referência aos envolvidos no pagamento pela fuga.

De acordo com o Ministério Público da Bahia, o ex-parlamentar, que também foi candidato à prefeitura de Teixeira de Freitas, tem ligações diretas com lideranças de facções criminosas. As apurações indicam que ele teria negociado o recebimento de R$ 2 milhões para intermediar e viabilizar a fuga em massa registrada em dezembro de 2024. Entre os foragidos está Ednaldo Pereira de Souza, apontado como líder do chamado Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), grupo criminoso com atuação regional e suposta ligação com o Comando Vermelho.
Além de Uldurico Júnior, Alberto Cley Santos Lima (conhecido como Cley da Auto Escola) e Matheus da Paixão Brandão foram alvos da ação da Polícia Federal e do GAECO. Nossa equipe teve acesso a provas que mostram que, além dos alvos da ação, o pai de Uldurico Júnior, Uldurico Alves Pinto, participou do esquema. Em delação, é dito que ele recebeu R$ 200 mil em uma caixa de sapato. Após conferência, ficou com R$ 150 mil e entregou a outra parte para ser depositada para Uldurico Júnior.

Além de Uldurico Alves Pinto, outro nome citado é o de Geddel Vieira Lima, que consta como figura importante nas investigações, já que ele seria o "chefe", segundo o próprio Uldurico Júnior. Nas provas coletadas pelas autoridades, os codinomes citados são:
· Galego: Uldurico Júnior;
· Chefe: Geddel;
· Dina: Ednaldo (vulgo Dada);
· 02: Sirlon, integrante do PCE.
Inicialmente, as investigações apontam que a negociação seria apenas para a fuga de Ednaldo (Dada) e Sirlon, mas a fuga acabou sendo maior do que o negociado. Parte do valor foi entregue no dia 4 de novembro de 2024, no bairro Juca Rosa, dentro de uma caixa de sapato. Segundo as provas, essa caixa de sapato foi entregue a Uldurico Alves Pinto no bairro Santa Rita, em Teixeira de Freitas.

Na tentativa de se livrar das acusações, Uldurico Júnior se afastou e deixou Joneuma sozinha e grávida. A gravidez, fruto de uma relação com Uldurico, foi negada por ele, que inclusive tentou vinculá-la a Ednaldo (Dada). No entanto, segundo exames aos quais nossa equipe de reportagem teve acesso, a conclusão é: "Os resultados obtidos mostraram que há compatibilidade alélica de herança paterna entre a filha da requerente e o suposto pai testado. A probabilidade de Uldurico Junior ser o pai biológico da filha de Joneuma é maior que 99,99%".
Joneuma foi deixada pelo grupo após as investigações, e o Ministério Público conseguiu identificar a tentativa dos envolvidos em incriminar outras pessoas e tirar o foco deles. As investigações mostraram que Geddel e Uldurico Júnior conversaram sobre a fuga, sobre as investigações e sobre a "Rosa Chorar" — que seria o pagamento e o encontro deles em Salvador.

Nossa equipe segue acompanhando o caso, que mexe diretamente com o cenário político da Bahia, já que Geddel disse ter influência na SEAP, e os nomes citados incluem o de Adolpho Loyola, secretário e um dos nomes mais importantes do governo.
Uldurico Alves Pinto emitiu uma carta falando da saúde do filho e pedindo ajuda ao governo do estado. Geddel Vieira Lima ainda não se manifestou sobre o caso. Adolpho Loyola também ainda não se pronunciou.

O caso mexe diretamente com o governo do estado, que vê nomes influentes de sua base envolvidos em um escândalo de repercussão nacional.

Por: Rafael Vedra/Liberdadenews
Nenhum comentário:
Postar um comentário