O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai, o Jair Bolsonaro (PL), por 90 dias e deu 48 horas para que a defesa explique a divulgação de uma carta escrita pelo ex-presidente.
No sábado (11/7), Flávio Bolsonaro divulgou nas redes sociais uma carta, escrita por Jair Bolsonaro, onde o ex-presidente reafirma o apoio ao filho mais velho na disputa pela presidência da República, na eleição de outubro.
Na decisão, Moraes lembra que ao conceder prisão domiciliar temporária para Bolsonaro, em 24 de março de 2026, determinou, entre outras medidas, a proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros.
Flávio Bolsonaro é “reincidente”, diz Moraes
Na decisão, Moraes diz que Flávio Bolsonaro se utilizou do direito de visitar Bolsonaro para obter uma carta escrita por ele “com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais”.
“Não há dúvidas, portanto, que a conduta irregular de FLÁVIO NANTES BOLSONARO desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita, permitindo, nos termos do §1º do artigo 41 da Lei de Execuções Penais, sua imediata suspensão”, diz trecho.
O magistrado destaca ainda que Flávio é “reincidente em sua conduta desrespeitosa as decisões judiciais, pois em 3/8/2025, juntamente com seu pai JAIR MESSIAS BOLSONARO, desrespeitaram a mesma medida cautelar de “proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros”, produzindo dolosa e conscientemente material pré-fabricado para seus partidários políticos”, diz a decisão.
Michelle teme que carta leve Bolsonaro de volta à prisão
Nesta segunda-feira, o Metrópoles revelou, na coluna Grande Angular, que ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) relatou a interlocutores receio de que a divulgação feita por Flávio Bolsonaro da íntegra da carta escrita por Jair Bolsonaro possa levar o ex-presidente novamente à cadeia.
Michelle pediu orações, de acordo com pessoas próximas ouvidas pelo Metrópoles, temendo que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes revogue a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro, mantida em decisão expedida há 10 dias.
Pelas redes sociais, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu a Moraes que cancele a prisão domiciliar de Bolsonaro. O parlamentar alega que a divulgação da carta descumpre as medidas cautelares impostas sobre o regime da prisão domiciliar humanitária.
“O descumprimento é objetivo, deliberado e confessado. Objetivo, porque a manifestação do apenado foi efetivamente veiculada em rede social, alcançando audiência massiva. Deliberado, porque a carta foi redigida na manhã do mesmo dia da divulgação, no curso de visita familiar autorizada, instrumentalizando-se, assim, o próprio regime de visitas fixado por este Juízo como vetor da burla. Confessado, porque o próprio divulgador declarou publicamente a origem, a autoria e a finalidade do documento”, argumenta o deputado.

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