Há cerca de 1 ano, um homem entrava desesperado na 16ª Delegacia Policial, em Planaltina (DF). Ele implorava para que não fosse preso injustamente e alegava que não tinha mais dinheiro, porque já havia depositado R$ 1 milhão – quantia acumulada durante toda a vida – na conta de policiais de outros estados, que exigiam cada vez mais para não prendê-lo por pedofilia. Era a primeira vítima de uma quadrilha que se especializou em aplicar o chamado "golpe dos nudes". Desde então, a Polícia Civil passou a investigar a ação desses golpistas e, nesta quarta-feira (16), uma ação conjunta, fruto deste inquérito, envolvendo agentes do DF, Goiás e Rio Grande do Sul prendeu quatro integrantes do grupo criminoso: três homens e uma mulher. Na chamada "Operação Falso Nude" foram apreendidos carros, como um Chevrolet Camaro avaliado em pelo menos R$ 200 mil, e foi feito o bloqueio de mais de R$ 1 milhão em ativos financeiros.
Os investigadores ainda procuram por outros três integrantes da quadrilha, que atuam como laranjas e já constam no inquérito. De acordo com a polícia, eles movimentaram, através do mesmo golpe, mais de R$ 5 milhões em apenas três meses, fazendo vítimas em todo o País. Os suspeitos presos foram indiciados por 19 extorsões, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Tratamento psiquiátrico, sepultamento e mandados de prisão falsos
O golpe é aplicado sempre da mesma maneira e envolve mentiras cruéis. Uma mulher – através de um perfil falso – procura pela vítima nas redes sociais e convida para trocar mensagens. O homem é seduzido pelo assunto e, durante a conversa, ela envia uma foto nua. Logo em seguida, um falso pai entra em contato com a vítima, dizendo que a filha dele tem apenas 13 anos e exige altos valores em dinheiro para não levar o caso à polícia. Depois, o "pai", então, passa a extorquir de várias outras formas.
Primeiro, os golpistas exigem o pagamento de um falso tratamento psiquiátrico para a criança, que sequer existe. Depois, eles vão ainda além: inventam que a menina cometeu suicídio, apresentando uma certidão de óbito falsa, e demandam o pagamento de um falso sepultamento. E não param por aí. Em seguida, exigem ainda uma nova quantia em dinheiro para celebração de um acordo pelos danos morais e materiais causados. Após este pagamento, fingem estar em uma delegacia, onde passam a ameaçar e mais uma vez extorquir a vítima, dizendo ter provas para prendê-lo por pedofilia.
Os investigadores descobriram, ainda, que mesmo após o pagamento de todas as formas de extorsão do golpe, a quadrilha ainda colocava um falso chefe de polícia para entrar em contato com as vítimas, exigindo novos pagamentos – etapa onde estava o homem que, há 1 ano, deu início a toda a investigação. Só ele, uma única vítima, teve R$ 1 milhão extorquido pelos bandidos.
– O golpista falava que conhecia policiais e passava a extorquir as vítimas, para que se "se livrassem" do suposto problema. Posteriormente, ligavam falsos policiais, que mostravam armas, simulavam uma falsa unidade de polícia, mostravam símbolos da polícia, e exigiam grandes quantias para que a vítima não fosse presa – conta o delegado Diogo Cavalcante, da 16ªDP. – Eles simulavam até mandados de prisão com dados da vítima e encaminhavam, para que ela se sentisse ameaçada. Aqui no Distrito Federal, essa investigação começou há 1 ano, quando uma vítima nos procurou e disse que já havia feito 19 transferências, que totalizavam um prejuízo de R$ 1 milhão.
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