SÃO PAULO, 17 Mar (Reuters) – Caminhoneiros de diferentes setores defenderam nesta terça-feira uma paralisação nacional da categoria após o aumento no preço do diesel nos postos do país nas últimas semanas, com entidades que representam a categoria buscando que os motoristas cruzem os braços já nesta semana.
A mobilização ainda envolve empresas transportadoras, que também são afetadas pela alta nos preços do diesel.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) afirmou em nota que irá aguardar o resultado da reunião coletiva dos caminhoneiros autônomos em Santos nesta quarta-feira.
‘A entidade reforça que estará do lado dos trabalhadores, respeitando a decisão da maioria’, disse.
A CNTTL inicialmente declarou que apoiava a greve, após pedir ao governo federal na semana passada providências para conter a alta considerada abusiva nos preços dos combustíveis, mas voltou atrás quando o governo anunciou ações de fiscalização nos postos de combustíveis para logo depois anunciar o novo posicionamento.
Até então, os pedidos de paralisação da categoria vinham se mostrando esparsos e sem uma clareza sobre o nível de adesão, com a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), do líder Wallace Landim, conhecido como Chorão, e o Sindicato dos Caminhoneiros de Santos (Sindicam) como os principais defensores.
O movimento ocorre após o preço médio do diesel S-10, o tipo mais vendido no Brasil, subir 18,86% no país desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, impactando os mercados globais de petróleo e combustíveis, apontou nesta terça-feira o painel online ValeCard. O preço do diesel comum teve alta ainda maior no mesmo período, de mais de 22%, enquanto a gasolina avançou 10% e o etanol hidratado subiu quase 9%.
‘Soltaram a bomba lá e soltaram as bombas aqui’, disse Landim, da Abrava, em entrevista à Reuters. ‘Com os altos custos do combustível, a conta não fecha e o transportador autônomo é a parte mais fraca. É uma luta pela sobrevivência’, disse.
Segundo ele, uma assembleia organizada pelo Sindicam em Santos na véspera com representantes de várias associações de caminhoneiros de Estados incluindo São Paulo, Paraná e Goiás deu aval para uma greve, mas a data não foi definida. ‘Provavelmente vai ser nesta semana’, afirmou Landim.
Desde 2018, quando uma greve geral de caminhoneiros parou o país por cerca de 10 dias com inúmeros bloqueios em estradas também devido a uma alta do diesel, outros movimentos grevistas já foram tentados sem sucesso, mas o presidente da Abrava afirmou que desta vez é diferente.
‘Os movimentos passados foram movimentos políticos para defender governos, substituir ministros do Supremo (Tribunal Federal), pedir impeachment… Agora é a mesma dor de 2018 que estamos sentindo’, afirmou, citando que não apoiou os movimentos anteriores.
O diretor de relações institucionais da Associação Nacional das Empresas de Transporte de Carga (ANATC), Carley Welter, foi na mesma linha, afirmando que a mobilização deste ano tem todos os fatores para uma paralisação dos transportes no país sob a bandeira da alta do diesel.
O diretor da CNTTL Carlos Alberto Litti Dahmer afirmou em comunicado da entidade que embora conversas da categoria com o governo federal estejam caminhando, é preciso urgência. ‘Os caminhoneiros estão no limite. A implementação dessas medidas é fundamental para garantir a sobrevivência da categoria’, disse Dahmer, citando fim de emissão de fretes abaixo do piso mínimo e aplicação de multas a empresas que descumprirem a lei de fretes aprovada após a greve de 2018.
A CNTTL ainda defende que a Petrobras retome a distribuição de combustíveis no país para servir como reguladora de preços no mercado, disse Dahmer.