
Teixeira de Freitas: Mais de sete dias de dor, sofrimento e angústia. Essa foi a realidade enfrentada pelo pequeno Jesus Albuquerque Soares Lima, de apenas 6 anos, e por sua família, após sofrer uma fratura no braço e permanecer internado no Hospital Municipal Sagrada Família, em Teixeira de Freitas, aguardando uma transferência para realização de cirurgia.
Espera frustrada
A expectativa era de que a criança fosse encaminhada ao Hospital Estadual Costa das Baleias (HECB), unidade construída com o discurso de ampliar a capacidade de atendimento de alta complexidade e reduzir a necessidade de deslocamentos para Salvador e outras cidades baianas. No entanto, a vaga nunca chegou.
Depois de uma longa espera, marcada pelo sofrimento da criança e pelo desespero dos familiares, a solução encontrada foi ainda mais distante: Jesus foi transferido para Salvador, percorrendo mais de 800 quilômetros para realizar um procedimento que, na visão da família e de muitos moradores da região, deveria estar disponível em Teixeira de Freitas.
Questionamento inevitável
O caso levanta um questionamento: de que adianta uma estrutura hospitalar de grande porte se pacientes continuam aguardando dias por uma cirurgia e, no fim, precisam ser levados para a capital? Enquanto isso, uma criança permanece internada, convivendo com dores, limitações e os riscos decorrentes da demora no tratamento ortopédico. Para os pais, cada dia de espera representa uma mistura de medo, insegurança e impotência.

Críticas ao sistema de regulação
A situação também reacende as críticas ao funcionamento da Central Estadual de Regulação (SUREM). O sistema, que deveria garantir rapidez e eficiência na distribuição de vagas, frequentemente é alvo de reclamações de pacientes e profissionais da saúde devido à lentidão na liberação de transferências e na definição do destino dos pacientes.
Casos como o de Jesus expõem um problema que vai além de um episódio isolado. A população do Extremo Sul da Bahia continua convivendo com filas, demora na regulação e incerteza sobre quando e onde receberá atendimento especializado.
A pergunta que fica
Quantas crianças, idosos e trabalhadores ainda precisarão esperar dias, sofrendo dentro de um leito hospitalar, para conseguir uma cirurgia que deveria estar disponível na própria região?
A história do pequeno Jesus não deveria servir apenas para comover. Ela precisa servir de alerta e de cobrança às autoridades municipais e estaduais para que a saúde pública ofereça respostas rápidas, eficientes e humanizadas, especialmente quando se trata de uma criança que apenas precisava de atendimento no tempo adequado.
Afinal, quando um menino de seis anos espera mais de uma semana por uma cirurgia e ainda precisa atravessar o estado para ser operado, fica evidente que o sistema falhou com ele e com toda a sua família.
Por: Rafael Vedra/LiberdadeNews
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