
Uma operação policial com contornos curiosos e linguagem inspirada no futebol chamou a atenção das autoridades nas primeiras horas desta quinta-feira (12/3). A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação “Drible Sujo”, destinada a desmontar uma organização criminosa que atuava no tráfico de drogas e que utilizava nomes de grandes estrelas do futebol mundial para identificar seus líderes.
Segundo as investigações conduzidas pela 5ª Delegacia da Polícia (Área Central), os chefões do esquema adotaram apelidos dignos de final de campeonato: um deles se apresentava como “Neymar”, em referência ao astro brasileiro, enquanto o outro assumia o nome “Messi”, inspirado no craque argentino. A escolha dos codinomes fazia parte de uma estratégia para criar um suposto “clima de sigilo” dentro da organização.
Toda a estrutura do grupo imitava o universo futebolístico. Integrantes hierarquicamente inferiores eram chamados de “atletas”, seguidos de numeração — como Atleta 1, Atleta 2 ou Atleta 3. Esses membros seriam responsáveis principalmente pela logística da droga, incluindo transporte, armazenamento e distribuição dos entorpecentes no DF.
Investigação durou mais de um ano
De acordo com a PCDF, a investigação se estendeu por mais de um ano e revelou um grupo criminoso estruturado, com atuação em diversas regiões do Distrito Federal e também em cidades do Entorno.
Ao todo, a Justiça autorizou:
- 23 mandados de prisão preventiva
- 28 mandados de busca e apreensão
As ordens judiciais são cumpridas simultaneamente por equipes da Polícia Civil em várias localidades, com apoio do Divisão de Operações Especiais (DOE) e da Seção de Operações com Cães.
Entre as regiões alvo das diligências estão Samambaia, Ceilândia, Cruzeiro, Guará, Taguatinga, Candangolândia, Brazlândia e Gama, no Distrito Federal. Também há ações em cidades do Entorno, como Valparaíso de Goiás, Luziânia e Cidade Ocidental.
“Time” do crime
Segundo os investigadores, o grupo funcionava como uma espécie de “time do crime”, com tarefas bem divididas entre os integrantes. Havia responsáveis pelo fornecimento das drogas, pela distribuição nos pontos de venda, pela logística de transporte e pelo armazenamento dos entorpecentes.
Outro setor da organização cuidava da movimentação financeira, utilizando contas bancárias de terceiros e mecanismos de dissimulação para dificultar o rastreamento do dinheiro obtido com o tráfico.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais procuram apreender drogas, armas, dinheiro em espécie, celulares, documentos e outros materiais que possam reforçar as provas e ajudar a identificar novos integrantes do grupo.
Mais de 150 policiais na operação
A Operação Drible Sujo mobiliza mais de 150 agentes do Departamento de Polícia Circunscricional da PCDF. A ação faz parte de uma estratégia de combate ao tráfico de drogas e ao avanço de organizações criminosas que atuam no Distrito Federal e na região do Entorno.
A polícia informou que novas informações devem ser divulgadas ao longo do dia, conforme o avanço das diligências.
Enquanto isso, para os investigadores, a partida terminou mais cedo para os supostos “craques” do tráfico. Desta vez, quem marcou o gol foi a polícia.








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