Os golpes digitais estão cada vez mais convincentes e podem chegar por diferentes canais, especialmente aplicativos de mensagens, como o WhatsApp. Com abordagens elaboradas e personalizadas, criminosos criam situações que parecem legítimas para induzir vítimas a compartilhar dados pessoais, clicar em links suspeitos ou fazer transferências bancárias.
O avanço da tecnologia tornou esse tipo de fraude ainda mais difícil de identificar. Mensagens bem escritas, imagens convincentes e até vozes que imitam pessoas conhecidas podem ser usadas para conquistar a confiança das vítimas. Nesse cenário, reconhecer os sinais de alerta e saber como agir diante de uma abordagem suspeita são medidas importantes para evitar prejuízos financeiros e a exposição de informações pessoais.
A dimensão do problema aparece nos números. O Brasil registrou 34 bilhões de tentativas de golpes digitais entre março de 2025 e fevereiro de 2026, segundo o relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, publicado pela Global Anti-Scam Alliance (GASA).
Para Wilder Martins, executivo de tecnologia e especialista em cibersegurança da EXA – ecossistema brasileiro de cibersegurança e proteção digital -, a inteligência artificial ampliou os recursos disponíveis para os criminosos e tornou necessário rever a maneira como as pessoas avaliam mensagens recebidas pela internet.
Se no passado um texto com erros ortográficos, uma imagem distorcida ou uma voz robótica serviam de alerta, a inteligência artificial praticamente apagou esses rastros. Hoje, a tecnologia simula a realidade com perfeição. Por isso, a principal barreira de defesa mudou: a pergunta não deve ser mais apenas ‘isso parece verdadeiro?’, mas sim ‘por que estão me pedindo para clicar em um link, fornecer um dado sensível ou fazer uma transferência?
Wilder Martins, executivo de tecnologia e especialista em cibersegurança da EXA
Um prêmio que virou prejuízo de R$ 10 mil
Em 2024, o aposentado Hélio Cunha, de 58 anos, recebeu uma ligação de um homem que afirmou que ele havia sido contemplado com um prêmio de R$ 10 mil. Para receber o suposto valor, Hélio foi orientado a informar a chave Pix e a seguir algumas instruções pelo celular.
Sem muita experiência com redes sociais e com o uso do aparelho, ele acabou seguindo as orientações. “Na hora, fiquei empolgado”, relata. Só depois percebeu que, em vez de receber o dinheiro, havia transferido R$ 10 mil para a conta indicada pelos criminosos.
No dia seguinte, o mesmo homem voltou a entrar em contato e tentou convencê-lo a fazer uma nova transferência. Foi quando Hélio percebeu que havia sido vítima de um golpe. O prejuízo de R$ 10 mil, segundo ele, nunca foi recuperado.
Mensagens que podem esconder golpes:
- “Oi, troquei de número e preciso de um Pix urgente. Pode fazer para mim? Devolvo em seguida.”
- “Sua encomenda está retida. Clique aqui.”
- “Compra aprovada no valor de R$ 3.890.”
- “Última chance. Sua conta será bloqueada.”
- “Solicitações de atualização cadastral supostamente enviadas pelo banco por WhatsApp.”
A orientação de Martins é desconfiar de mensagens que exigem decisões imediatas, principalmente quando envolvem pagamentos, compartilhamento de informações pessoais ou acesso a links. Em vez de responder diretamente, o usuário deve procurar os canais oficiais da empresa ou instituição mencionada e confirmar se a solicitação é legítima.
Segundo turno das eleições
Com o segundo turno das eleições, os golpes se intensificam. Mensagens como: “seu título de eleitor foi cancelado” ou “se você não votou no primeiro turno não pode votar no segundo” podem ser avisos fraudulentos. Nessas abordagens, eles se passam por instituições oficiais e recorrem à manipulação psicológica para induzir vítimas ao erro. Entre os públicos que exigem atenção está o de pessoas com 60 anos ou mais.
Com risco iminente, o aumento da circulação de debates políticos em aplicativos de mensagens cria um ambiente explorado por criminosos, com áudios, vídeos e falsas notícias usados como iscas.
A dinâmica da campanha funciona como uma “nova roupagem” para fraudes já conhecidas: ao apropriar-se de temas, figuras públicas e instituições em evidência, os golpistas buscam ganhar a confiança da vítima.

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