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quarta-feira, 18 de março de 2026

Alta do combustível impulsiona gritos de greve entre caminhoneiros

 

Bandeira do Brasil em protesto de caminhoneiros
Bandeira do Brasil em protesto de caminhoneiros

SÃO PAULO, 17 Mar (Reuters) – Caminhoneiros de diferentes setores defenderam nesta terça-feira uma paralisação nacional ⁠da categoria após o aumento no preço do diesel nos postos do país nas últimas semanas, ⁠com entidades que representam a categoria buscando que os motoristas cruzem os braços já nesta semana.

A mobilização ainda envolve empresas transportadoras, ‌que também são afetadas pela alta nos preços do diesel.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) afirmou em nota que irá aguardar o resultado da reunião coletiva dos caminhoneiros autônomos em Santos nesta quarta-feira.

‘A entidade reforça que estará do lado dos trabalhadores, respeitando a decisão ‌da maioria’, disse.

A CNTTL inicialmente declarou que apoiava a greve, após pedir ao governo federal na semana passada providências para conter a alta considerada abusiva nos preços dos combustíveis, mas voltou atrás quando o governo anunciou ações de fiscalização nos postos de combustíveis para logo depois anunciar o novo posicionamento.

Até então, os pedidos de paralisação da categoria vinham se mostrando esparsos e sem uma clareza sobre o nível de adesão, com a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), do líder Wallace Landim, conhecido como Chorão, e o Sindicato dos Caminhoneiros de Santos (Sindicam) como os principais defensores.

O movimento ocorre após o ⁠preço médio ‌do diesel S-10, o tipo mais vendido no Brasil, subir 18,86% no país desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra dos Estados Unidos ⁠e Israel contra o Irã, impactando os mercados globais de petróleo e combustíveis, apontou nesta terça-feira o painel online ValeCard. O preço do diesel comum teve alta ainda maior no mesmo período, de mais de 22%, enquanto a gasolina avançou 10% e o etanol hidratado subiu quase 9%.

‘Soltaram a bomba lá e soltaram as bombas aqui’, disse Landim, da Abrava, em entrevista à Reuters. ‘Com os altos custos do combustível, a conta não fecha e o transportador autônomo é a parte mais fraca. É uma luta pela sobrevivência’, disse.

Segundo ele, uma assembleia ​organizada pelo Sindicam em Santos na véspera com representantes de várias associações de caminhoneiros de Estados incluindo São Paulo, Paraná e Goiás deu aval para uma greve, mas a data não foi definida. ‘Provavelmente vai ser nesta semana’, afirmou Landim.

Desde 2018, quando uma greve geral de ​caminhoneiros parou o país por cerca de 10 dias com inúmeros bloqueios em estradas também devido a uma alta do diesel, outros movimentos grevistas já foram tentados sem sucesso, mas o presidente da Abrava afirmou que desta vez é diferente.

‘Os movimentos passados foram movimentos políticos para defender governos, substituir ministros do Supremo (Tribunal Federal), pedir impeachment… Agora é a mesma dor de 2018 que estamos sentindo’, afirmou, citando que não apoiou os movimentos anteriores.

O diretor de relações institucionais da Associação Nacional das Empresas de Transporte de Carga (ANATC), Carley Welter, foi na mesma linha, afirmando que a mobilização deste ‌ano tem todos os fatores para uma paralisação dos transportes no país sob a bandeira da ​alta do diesel.

O diretor da CNTTL Carlos Alberto Litti Dahmer ⁠afirmou em comunicado da entidade que embora conversas da categoria ​com o governo federal estejam caminhando, ​é preciso urgência. ‘Os caminhoneiros estão no limite. A implementação dessas medidas é fundamental para garantir a sobrevivência da categoria’, disse Dahmer, citando fim de emissão de fretes abaixo do piso mínimo ⁠e aplicação de multas a empresas que descumprirem a lei de fretes aprovada ​após a greve de 2018.

A CNTTL ainda defende que a Petrobras retome a distribuição de combustíveis no país para servir como reguladora de preços no mercado, disse Dahmer.

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