
Prado: Em meio à escalada de tensão no Extremo Sul da Bahia, marcada por invasões de terras, manifestações, bloqueios na BR-101 e até mesmo turistas baleadas, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, deu o que falar ao se recusar a responder perguntas sobre o tema durante um evento do Governo do Estado em Feira de Santana.
O repórter Davy Jackson, da Rede Comunica Brasil, abordou o ex-governador da Bahia para questioná-lo sobre a crise instaurada na região. A resposta de Rui Costa, no entanto, foi uma tentativa de fuga: após fingir ter sido chamado, ele tentou deixar o local e, quando novamente questionado, limitou-se a dizer: "Não vou falar sobre isso não".
A postura do ministro foi registrada e gerou imediata repercussão, evidenciando o que moradores, agricultores e lideranças políticas da região classificam como omissão do Governo Federal diante de uma crise que se arrasta e se agrava a cada dia.
O contexto da crise e a assinatura que desencadeou a violência
A raiz do conflito remonta a novembro de 2025, quando o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, assinou as portarias de demarcação de dez terras indígenas, incluindo áreas cruciais no extremo sul da Bahia, como as terras Tupinambá de Olivença e Pataxó de Cumuruxatiba (Comexatibá). O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, que governou a Bahia por oito anos (2015-2023) e hoje ocupa um cargo de primeiro escalão no governo Lula , até o momento não se pronunciou sobre os desdobramentos violentos da medida que seu governo ajudou a implementar.
Logo após a assinatura, teve início uma onda de invasões criminosas. Agricultores e famílias inteiras passaram a ser expulsos de suas propriedades sob a mira de armas de fogo, em ações que especialistas e políticos locais classificam como resultantes da insegurança jurídica gerada pelo processo de demarcação inconcluso .
O cenário de terror e a ausência do poder público
Há cerca de uma semana, a principal rodovia da região, a BR-101, é palco de bloqueios realizados por agricultores e moradores que se sentem reféns do medo e abandonados pelo poder público. O clima, que já era tenso, atingiu um novo patamar de gravidade na última terça-feira (24), quando duas turistas do Rio Grande do Sul foram baleadas em uma área de conflito .
Apesar da gravidade da situação, que expõe famílias ao terror e mancha a imagem do estado, a resposta do Governo Federal tem sido a inércia. A atitude do ministro Rui Costa, ao se recusar a dar qualquer esclarecimento ou demonstrar qualquer preocupação, foi interpretada por muitos como um reflexo dessa postura.
O deputado estadual Sandro Régis (União Brasil) lamentou publicamente o episódio e criticou a "omissão" do PT diante do caos. "Há muito tempo que o governo baiano sabe desse ambiente de guerra que se estabeleceu no sul do Estado por causa das invasões de terras, mas fica omisso, de braços cruzados. Essa negligência do PT está sacrificando a vida dos baianos e até de quem visita nossa terra", declarou o parlamentar .
A fuga de Rui Costa e o recado aos baianos
A recusa do ministro Rui Costa em falar sobre o assunto não é apenas uma falha de comunicação; é um sintoma da ausência de uma política efetiva para garantir a ordem e a paz na região. Enquanto o governo federal se cala e foge das perguntas, a população do Extremo Sul, incluindo agricultores, indígenas e moradores das cidades afetadas, permanece refém de um conflito que se arrasta e se intensifica.
Nossa equipe segue acompanhando os últimos acontecimentos na região. As fortes chuvas desta quarta-feira (25) não podem e não devem ser usadas como desculpa para a inação de governantes que, até a presente data, mostram-se omissos e covardes, enquanto o seu povo segue no medo e no terror, esperando por uma solução que nunca chega.
Por: Rafael Vedra/Liberdadenews
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