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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Anvisa emite alerta sobre uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico

 

Produção de canetas de injeção Ozempic. Fotógrafo: Carsten Snejbjerg/Bloomberg
Produção de canetas de injeção Ozempic. Fotógrafo: Carsten Snejbjerg/Bloomberg

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta segunda-feira (9) um alerta sobre o uso de canetas injetáveis para diabetes e emagrecimento. O órgão demonstrou preocupação com a utilização desses medicamentos sem orientação médica ou para finalidades diferentes das aprovadas oficialmente.

A agência destacou que houve aumento nos relatos de pancreatite entre usuários de fármacos como Mounjaro, Saxenda e Ozempic, e que está apurando seis óbitos por complicações no pâncreas que podem estar associados a esses tratamentos. Paralelamente, há uma investigação em curso sobre mais de 200 casos de pacientes que desenvolveram distúrbios pancreáticos enquanto faziam uso desses medicamentos.

O comunicado da Anvisa abrange todos os produtos à base de tirzepatida, dulaglutida, liraglutida ou semaglutida, o que inclui todas as canetas injetáveis com registro vigente no país.A discussão sobre a relação entre esses tratamentos e a pancreatite ganhou força após dados da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), do Reino Unido, que registrou 19 óbitos. Embora esses episódios sejam classificados como raros e atípicos, a gravidade dos quadros — incluindo mortes e casos de pancreatite necrosante — acendeu o sinal de alerta.

Apesar de a inflamação do pâncreas já constar como possível efeito colateral nas bulas brasileiras, a Anvisa ressaltou que o volume de novas notificações aumentou recentemente. Por isso, o órgão reforça que o uso desses medicamentos deve seguir estritamente as indicações aprovadas em bula, sempre com prescrição e acompanhamento de médico habilitado.

O que é a pancreatite?

A pancreatite aguda é uma inflamação súbita causada pela autodigestão do pâncreas, processo em que as próprias enzimas pancreáticas passam a agredir o órgão. A condição tem foco na região pancreática, mas pode afetar outras estruturas e sistemas do corpo.

O quadro pode ser leve ou grave. Nos casos leves, o impacto no pâncreas e no restante do organismo é limitado. Já na forma grave, o paciente pode apresentar sinais de colapso orgânico, como falência respiratória ou renal, queda acentuada da pressão arterial e hemorragias digestivas.

Nos casos críticos, são observadas ainda complicações locais, como formação de abscessos, surgimento de pseudocistos e morte de tecidos pancreáticos (necrose).

O que o alerta da Anvisa quer evitar?

O objetivo do alerta é desestimular o uso das canetas injetáveis fora das indicações previstas em bula. A maior parte desses medicamentos é indicada para o tratamento de obesidade e diabetes, e alguns também são aprovados para reduzir o risco de eventos cardiovasculares e tratar apneia.

Quando usados para outras finalidades, há risco de efeitos colaterais desconhecidos, já que pode não haver evidências científicas ou estudos robustos que sustentem essas novas indicações.

A Anvisa também chama atenção para o uso dos remédios com foco em emagrecimento rápido ou fins estéticos, sem avaliação ou prescrição médica. Em caso de suspeita de pancreatite, a orientação é interromper o tratamento imediatamente e não retomá-lo se o diagnóstico for confirmado.

O órgão ressalta ainda que, embora as notificações mencionem marcas específicas, parte dos casos pode estar ligada a produtos falsificados.

Segundo dados do sistema Vigimed, que reúne notificações enviadas à Anvisa, o cenário atual é o seguinte:

  • 2 óbitos sob suspeita de associação entre Ozempic e quadros de pancreatite;
  • 3 mortes em investigação envolvendo Saxenda;
  • 1 óbito possivelmente relacionado ao uso de Mounjaro.

Essas informações ainda são tratadas como hipóteses até a conclusão das análises finais, processo que pode levar de meses a anos. Tanto a agência quanto especialistas destacam que a citação dos medicamentos nas notificações não significa, por si só, comprovação de nexo causal. Isso porque o público que utiliza esses fármacos já apresenta, em geral, maior predisposição ao desenvolvimento de pancreatite.

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