
O fundador da Bridgewater Associates, Ray Dalio, fez um novo alerta sobre os Estados Unidos: o país está em rota de colisão para repetir a história.
O investidor bilionário afirmou que as crises nacionais atuais — desde agentes federais matando pessoas em Minneapolis até a disparada da dívida nacional — sinalizam uma transição para uma fase mais violenta do “Grande Ciclo” americano.
“Os Estados Unidos agora são um barril de pólvora”, alertou ele em um longo ensaio publicado no X na segunda-feira (26), intitulado “Dinheiro, guerra civil e internacional, Minneapolis e além — em perspectiva”.
O texto se apoia fortemente em seu livro de 2021, “Principles for Dealing With the Changing World Order” (Princípios para lidar com a ordem mundial em transformação, em tradução literal), no qual ele analisa 500 anos de história para explicar por que alguns países prosperam e outros fracassam, descrevendo um ciclo de seis estágios, com duração de 80 anos, que acompanha a evolução da ordem monetária, interna e internacional de uma sociedade.
Em sua publicação no X, Dalio disse que está nas mãos do presidente Donald Trump se afastar de um conflito civil ou se aproximar dele.
“Muitas pessoas estão esperando para ver se o presidente Trump continuará lutando, o que acredito que correria o risco de nos empurrar para além do limite, rumo a uma guerra civil mais clara, ou se ele fará uma tentativa de nos puxar de volta do abismo ao apelar pela paz, prometendo e demonstrando que o sistema de Justiça lidará adequadamente com os tiroteios e ao conter as atividades do ICE”, escreveu.
Há anos Dalio usa seu arcabouço do Grande Ciclo para alertar que os EUA estão profundamente inseridos no que ele chama de Estágio 5 — a “fase pré-colapso”, caracterizada por más condições financeiras e conflito interno — e correm o risco de oscilar para o Estágio 6, que ele define como o “estágio final e mais doloroso”, marcado pelo colapso da ordem existente por meio de guerra civil ou revolução.
No passado, ele soou o alarme sobre o aumento da desigualdade econômica e da polarização política. E, na semana passada, afirmou em uma conversa com a Fortune em Davos que agora estamos lidando com o “colapso da ordem monetária”, já que a dívida nacional alcançou US$ 38 trilhões, o que ele chamou de um sintoma comum de impérios em declínio.
À beira do abismo em Minneapolis
Em sua publicação mais recente, Dalio argumentou que as mortes em Minneapolis e a disparada da dívida nacional, em conjunto, sugerem que os EUA podem estar passando do Estágio 5 para o Estágio 6.
Ele citou trechos de seu livro de 2021, nos quais afirmou que “pessoas morrendo nos confrontos” é um sinal que “quase certamente indica a progressão para o próximo e mais violento estágio da guerra civil”, e que a intensificação das disputas entre o governo federal e os estados é um marcador histórico clássico de conflito civil.
Ele também incluiu um trecho afirmando que “o indicador antecedente mais confiável de guerra civil ou revolução é um governo com finanças quebradas combinado com grandes disparidades de riqueza”.
Dalio vem se aproximando dessa conclusão há vários anos. Em 2024, ele alertou que os EUA corriam o risco de um conflito civil em larga escala se um dos lados não aceitasse o resultado da eleição presidencial.
E, em um ensaio publicado naquele mesmo ano na Time, afirmou que o “risco de algum tipo de guerra civil é desconfortavelmente superior a 50%”.
Independentemente do caminho que Trump adote após as mortes em Minneapolis, disse Dalio, os EUA já se encontram em um estado elevado de tensão.
“Embora a escolha dele tenha enormes implicações para o que vem a seguir, incluindo possivelmente acender o barril de pólvora, de qualquer forma é importante enxergar tudo o que está acontecendo no contexto de todas as forças e eventos que estão impulsionando o Grande Ciclo”, acrescentou.
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