Fazendeiros, produtores rurais e trabalhadores da cadeia do cacau bloquearam a BR-101, no município de Itamaraty, na manhã deste domingo(25) em um protesto que escancara a grave crise enfrentada pela cacauicultura baiana. A manifestação é motivada pelo preço considerado injusto e desvalorizado do cacau, principal fonte de renda de milhares de famílias no sul da Bahia.
O bloqueio da rodovia, uma das mais importantes do país, é um grito de socorro de quem produz. Os manifestantes afirmam que, enquanto o valor do cacau cai drasticamente, o custo de produção só aumenta. Insumos, combustíveis, energia, transporte e alimentos seguem cada vez mais caros, tornando a atividade rural quase insustentável.Segundo os produtores, a conta não fecha. “Eles baixam o preço do cacau, mas aumentam o preço de tudo. Quando não aumenta uma coisa, aumenta o dobro de outra”, relatam trabalhadores indignados. Para quem vive da lavoura, a sensação é de abandono e injustiça.
O protesto relembra a greve dos caminhoneiros, quando a categoria decidiu parar o país diante do alto custo para trabalhar. Na época, a mobilização forçou o debate e levou à socialização de parte dos custos. Agora, os produtores de cacau afirmam que chegou a vez do campo reagir.
“Tem que fazer isso mesmo. Não podemos abaixar a cabeça. O cacau é o carro-chefe da Bahia, sustenta cidades inteiras, gera empregos e mantém viva a economia regional”, afirmam os manifestantes. Eles defendem um valor justo pelo produto e políticas que protejam quem produz, e não apenas quem lucra com a comercialização.
A cacauicultura faz parte da identidade histórica, cultural e econômica do estado. A desvalorização do produto ameaça não apenas os produtores, mas todo o comércio local, os trabalhadores rurais e as futuras gerações que dependem dessa atividade.
O bloqueio da BR-101 é um alerta claro: sem preço justo, não há produção sustentável. Os produtores exigem respeito, valorização e condições dignas para continuar trabalhando. A mensagem é direta — o campo não vai mais ficar em silêncio enquanto trabalha no prejuízo.
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