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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Atenção, banhistas: especialista explica cuidados essenciais após contato com caravelas-portuguesas

 caravela-portuguesa

Imagem gerada por inteligência artificial por meio da ferramenta Gemini

Com a chegada do verão, o litoral do Nordeste vem registrando maior presença de caravelas-portuguesas, especialmente em praias da Bahia e do Ceará. A combinação de altas temperaturas, ventos fortes e correntes marinhas favorece o aparecimento desses organismos, que podem provocar queimaduras dolorosas e, em alguns casos, reações mais graves.

Apesar de serem frequentemente confundidas com águas-vivas, as caravelas-portuguesas são colônias de seres marinhos que possuem um flutuador azul-arroxeado e tentáculos que podem chegar a 30 ou até 50 metros de comprimento.

O dermatologista da Hapvida, Marcelo Piccolo, explica que o contato com esses tentáculos libera toxinas potentes capazes de afetar rapidamente a pele. “A reação costuma ser imediata, com dor forte, vermelhidão em linhas, inchaço e até formação de bolhas. Em situações mais graves, a toxina pode desencadear náuseas, vômitos ou reações alérgicas importantes”, afirma.

Para evitar acidentes, o médico destaca que é fundamental respeitar os avisos dos salva-vidas e observar bandeiras roxas, que indicam risco de organismos urticantes na água. Ele reforça que as caravelas continuam tóxicas mesmo quando estão encalhadas na areia. “O ideal é evitar qualquer contato direto, mesmo que o animal pareça morto. Usar roupas de lycra ou neoprene também ajuda a reduzir o risco de queimaduras”, orienta.

Quando o contato acontece, Piccolo explica que os primeiros socorros devem ser feitos ainda na praia, seguindo um protocolo simples, mas essencial. O primeiro passo é sair da água com calma e lavar a área afetada exclusivamente com água do mar.

“A água doce ativa ainda mais as toxinas. Depois, remova os tentáculos com uma pinça ou cartão rígido, sempre usando algum tipo de proteção. Aplicar vinagre por 10 a 30 minutos ajuda a inativar o veneno das espécies tropicais encontradas no Brasil”, afirma.

Para aliviar o desconforto provocado pelas caravelas-portuguesas, o dermatologista recomenda compressas geladas ou imersão da área afetada em água quente entre 40°C e 45°C. Analgésicos comuns podem ser usados caso a dor persista. Ele alerta que métodos populares não devem ser utilizados. “Urina, álcool, areia ou pressionar o local podem piorar a lesão e aumentar a inflamação”, explica.

Segundo Piccolo, alguns grupos exigem mais atenção, como crianças, idosos e pessoas com histórico alérgico. “Se houver falta de ar, vômitos, tontura ou inchaço intenso, o atendimento médico deve ser imediato. Os casos mais graves são raros, mas precisam de resposta rápida para evitar complicações maiores”, conclui.

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