
A entrevista de Jerônimo Rodrigues sobre a morte do capitão da Polícia Militar Osniésio Pereira Salomão — assassinado durante uma tentativa de assalto, noite de quinta-feira (15/01) na Avenida Contorno, a apenas 300 metros do Comando Geral da PM — provocou forte repercussão negativa, irritou a tropa e a população do bem. Tudo após a Lavagem do Bonfim, uma festa religiosa, onde a paz deveria reinar.
Um dia depois do triste episódio, no momento em que se esperava solidariedade e firmeza institucional, o governador escolheu destacar que o oficial não estava de serviço, um detalhe irrelevante diante da tragédia e considerado insensível. O que importa é que um cidadão baiano foi morto, e isso deveria ter sido o ponto central.
A família sofre. A corporação chora. A sociedade está acuada.
Mas o governador parou no detalhe errado.
A fala soou fria, arrogante e desconectada da realidade.
A impressão transmitida foi a pior possível: como se a morte de um policial em serviço fosse mais grave do que a de um policial de folga — e, por consequência, a de qualquer cidadão comum. E a sensação generalizada foi de indignação.
Para tentar responder à pressão pública, Jerônimo lançou frases de impacto, como: “Se for para cair, que caia um deles.”
Mas a fala escorregou no improviso e na contradição. Afinal, não faz muito tempo o mesmo Jerônimo dizia que “bandido bom é bandido preso”, e hoje ensaia discurso duro sem embasamento, sem plano e visivelmente despreparado para o tema.
Só faltou lamentar a morte do bandido e insinuar que o criminoso teria sido “vítima do policial”. A percepção é tão clara que virou comentário recorrente: há uma demarcação ideológica rígida na segurança pública — e, como dizem muitos policiais, “abutres defendem abutres”.
Em nenhum momento o governador apresentou dados da PM, relatório da SSP, atualizações da investigação ou informações técnicas sobre o caso.
Falou de improviso, sem embasamento e sem demonstrar controle do próprio governo. Pior: não mencionou qualquer medida emergencial, reforço de policiamento ou orientação estratégica.
REPERCUSSÃO
A postagem do Informe Baiano ultrapassou 3 mil comentários — todos negativos. Não há um elogio. É um consenso raro: a fala do governador agravou a crise.
Policiais sentiram desrespeito. Familiares viram insensibilidade. Especialistas enxergaram despreparo. E a população percebeu abandono.
A tropa reagiu mal. Muito mal.
Aquela frase sobre estar ou não de serviço foi vista como uma linha divisória perigosa — como se vidas civis e vidas de policiais tivessem pesos diferentes dependendo da circunstância.
O clima ficou ainda mais pesado dentro da corporação, que já convive com baixa moral e desgaste causado pela violência crescente.
O que mais surpreende é que este era o momento perfeito para não falar. Mas, em vez de calma, prudência e respeito, o governador preferiu improvisar, se contradizer, ignorar dados, politizar a tragédia e tensionar ainda mais a tropa.
E quando afirma que “não vai permitir a violência”, a resposta pública é imediata: permitir o quê, se o crime já aconteceu? A frase resume o sentimento geral: a Bahia está largada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário